Afinal, na era da IA, compensa mesmo estudar TI?
Leia tudo pra entender meu raciocínio : )
No mundo que a gente vive hoje, IA pra lá, IA pra cá, eu já me peguei pensando sei lá quantas vezes se realmente valia a pena estudar coisas como linguagem, framework, arquitetura de software, testes, cloud e etc. Aquele clássico conteúdo gigante que pedem nas vagas do Linkedisney kkkkk.
Quer uma resposta rápida? Depende. E eu falo isso nem sendo sênior... :p
Vamos colocar 6 tipos de pessoas lado a lado:
1. Monteiro
Ama tecnologia, é curioso, não vê problema se aquilo vai dar muito dinheiro ou não, estuda porque gosta, tem o pé no chão e vê tecnologia como uma possibilidade de carreira.
2. Polônio
Ama tecnologia, é curioso, quer construir uma carreira na área de tecnologia, estuda pra conseguir um trabalho melhor, se atualiza de acordo com o que o mercado pede e está sempre atento ao mundo.
3. Lorenzo
Gosta de tecnologia, segue o hype do momento, não pode ver um framework novo que já quer usar, testar o novo modelo de IA, quer virar dev influencer pra fazer vídeo no TikTok e ganhar patrocínio.
4. Bruno
Até gosta um pouco de tecnologia, não gosta de estudar e estuda só pelo dinheiro.
5. Gael
Gosta de tecnologia, não gosta de estudar, faculdade pra ele é perda de tempo, vibe coding é o futuro e o importante é empreender.
6. Armando
Tecnologia é hobby pra ele, faz projetos pessoais, quer criar emuladores de videogame retrô, fazer o próprio Jarvis pra ajudar no trabalho dele de advocacia.
Dessa lista tem um ponto importante que já diz muita coisa: todos gostam de tecnologia.
Isso já é um grande passo pra saber se você realmente deveria estudar ou não e, sendo bem direto nisso, pra mim essas são as pessoas que talvez não devam estudar profundamente: Gael, Bruno e Armando.
Colocando um GIGANTESCO parêntese aqui: qualquer pessoa pode estudar se quiser kkkkk, eu não mando na vida de ninguém.
O Armando já tem uma carreira. A IA pode gerar bons códigos pra fazer as coisas que ele quer usar pra se divertir, ajudar no trabalho ou fazer os próprios projetinhos. Se ele quiser entender tudo a fundo, ótimo, mas isso só é realmente necessário se ele tiver essa vontade.
O Gael, por outro lado, combina muito com vários CEOs e marketeiros do mundo atual. Faz escândalo quando um modelo de IA sai da versão 5.1 pra 5.2, vive achando que a AGI está sempre a um modelo de distância e acredita que dá pra construir uma empresa gigantesca sem estudar engenharia de software, usando apenas Claude Code e Codex.
O Bruno pode até se dar bem, eu conheci gente igual a ele que virou um bom profissional, mas talvez seja um risco grande. A frustração na nossa área também é muito grande. Pode ser que um dia ele acabe gostando de verdade, mas se fosse um amigo meu provavelmente eu falaria pra pensar em outra área kkkkk.
E o Lorenzo?
Apesar de, na minha opinião, não ser exatamente o tipo de dev que eu gostaria de ter do meu lado, ele pode sim ser bom. Mesmo tendo dificuldade pra se localizar no mercado ou construir uma carreira mais linear e especializada, ele pode funcionar muito bem em determinados contextos. Mas talvez, ao longo da carreira, essa falta de profundidade em alguns temas acabe pesando, até mesmo na hora de conseguir um novo emprego. E a gente vê muito isso hoje com pessoas que têm 8, 10, 12 anos de carreira e passam muito tempo desempregadas. Pode ser culpa do mercado atual? Pode. Mas também pode ser falta de profundidade.
Eu acredito que eu seja o tipo Polônio. Não consigo olhar pra mim e não me ver construindo uma carreira em tecnologia. Hoje eu penso assim, pode mudar? Pode, espero que não. Eu estudo muito pra melhorar no meu próprio trabalho e quero, com o tempo, ir me especializando e ganhando profundidade nos assuntos que eu gosto. Mas, apesar do lado profissional, eu ainda gosto muito de tecnologia. Se eu já fosse extremamente bom no meu trabalho, talvez estivesse estudando assuntos que hoje nem fazem parte do meu dia a dia, mas isso é muito mais uma questão de prioridades.
Vi alguns vídeos recentemente que achei extremamente válidos, principalmente pra quem está começando ou tem entre 0 e 4 anos de experiência.
Fernanda Kipper: Estudar com IA está IMPACTANDO seu CÉREBRO.
https://youtu.be/o5qx4h42lU4?si=exJxyJhfR6SjjLnJ
Flow Podcast: Penegui + Gustavo Guanabara | Flow #627
https://www.youtube.com/live/tAVQ0WD0dVc?si=DNyqlJ-7p2ey3nQj
Eles falam bastante sobre estudo, futuro da programação e IA. Acho que vale muito a pena assistir.
Agora falando da minha volta aos estudos.
Eu voltei. Com muito foco e muita vontade.
Por um tempo, desde o meu último estágio antes de virar júnior, eu até estudava, mas não era naquele nível de olhar pra trás e falar: "car@lh0, tô estudando muito, que isso, a fucking machine de estudar!". Via um curso um dia, lia alguma coisa no outro e foi isso durante muito tempo.
Essa semana, depois de uma sessão de terapia, minha psicóloga me propôs uma ideia: estudar um único tema específico por dia, nem que fosse só 30 minutos. Nem menos. E, se eu não conseguisse manter a concentração, nem mais.
Resultado?
Acho que estudei mais de 15 horas em uma semana, e ainda é domingo enquanto escrevo isso, então esse número continua aumentando. Antes eram 4 ou 5 horas na semana inteira. Duas horas em um dia, uma no outro, nenhuma no seguinte, duas no próximo e acabou. E não estou falando de estudar no trabalho, estou falando de estudar fora dele.
Terminei um módulo do curso.dev, terminei uma trilha inteira de Lógica de Programação que tinha leitura, quiz e mini projeto em 6 dias, terminei algumas aulas de um curso de Laravel e ainda coloquei algumas coisas em prática usando Livewire. Isso realmente me deu um gás.
A partir de agora quero levar os estudos realmente a sério, mas dessa vez de uma forma mais organizada. Essa semana eu não separei exatamente o que iria estudar e acabou ficando tudo meio bagunçado. Agora quero pegar o domingo, igual hoje, pra organizar toda a semana seguinte.
Não só isso, também está chegando o feriado de agosto aqui no Japão. Como tenho alguns compromissos em alguns dias, obviamente vou seguir a regra dos 30 minutos por dia no mínimo, mas nos dias em que eu estiver livre quero pegar entre 4 e 8 horas e mergulhar em um assunto específico, quase como uma imersão. Pode ser Docker, Front-end, Nginx, testes, até uma linguagem que já tive contato, como Go, ou aprofundar conhecimentos que acredito precisar melhorar, como SQL, Livewire e Laravel. Quero entender mais a fundo, entender como as coisas funcionam por baixo dos panos.
E um detalhe importante: quero praticar muito, muito mesmo. Vou tentar sempre criar mais projetos completos em vez dos meus famosos "estudos de funcionalidade". Criar coisas de ponta a ponta é muito mais legal e traz um tipo de experiência que simplesmente fazer funcionalidades isoladas não proporciona.
Enfim, pra mim estudar vai muito além de dinheiro. Fala muito mais sobre crescimento profissional, curiosidade e paixão por tecnologia. Quero melhorar tanto no meu trabalho quanto por mim mesmo.
Se você gosta de tecnologia, está com medo da IA e não sabe como vai ser o futuro da área, entra no barco, porque no fim das contas ninguém sabe kkkkk.
As coisas são cíclicas. O jeito de programar muda, os testes mudam, o design muda, as ferramentas mudam, tudo vai mudando como sempre mudou, pra melhor ou pra pior. Programar nunca foi uma profissão estática.
Mas programar não é só uma carreira, é uma habilidade. É meio clichê falar isso, mas é quase um superpoder. Hoje as IAs erram bastante, pode ser que amanhã não errem praticamente nada, mas isso realmente mudaria o seu gosto por programação?
Você prefere uma comida caseira ou uma industrializada? Talvez essa nem seja a melhor comparação kkkkk, mas acho que, no futuro, talvez a carreira de programador deixe de ser só escrever código. Talvez seja analisar, dar ideias, tomar decisões, cuidar das partes mais críticas e por aí vai.
No fim, eu ainda acredito que sim.
Vale muito a pena estudar.